Marília Mendonça: a patroa do nosso coração

Marília Mendonça amava sem medida. Tinha um coração exuberante, forte o suficiente para se expressar de maneira intensa a sensibilidade feminina e emocionar uma legião de fãs pelo Brasil. Fenômeno das redes sociais, a jovem cantora goiana também tinha o hábito de compartilhar a vida pessoal e profissional. Horas antes de morrer na queda do bimotor na região rural de Caratinga, no interior de Minas Gerais, a cantoria havia compartilhado vídeos sobre a viagem. Vestida com um conjunto quadriculado preto e branco, ela caminhava com empolgação em direção ao avião. À mão esquerda, carregava o inseparável violão. E, com a mão direita, puxava uma mala de rodinhas. Já a bordo da aeronave, ela enviava novas mensagens aos fãs. Exibia a dieta a que se submetia para manter a silhueta. E comemorava a expectativa de realizar shows em Minas Gerais.

Poucas horas antes da tragédia em Caratinga, a cantora trabalhava na divulgação do clipe de uma nova música, a faixa Fã clube. Pelas redes sociais, a sertaneja esbanjava felicidade com a nova canção — gravada em parceria com Maiara e Maraisa —, vários stories foram gravados dedicados à música. Para a cantora, o novo sucesso contava uma história marcada pela felicidade – a relação apaixonada com os fãs. “Para quem fala que Marília Mendonça não tem música de amores que dão certo, está aí”, brincou Marília.

No meio da semana, Marília dividiu com o mundo o amor que nutria pela mãe. “Seremos sempre nós. Conectadas, entrelaçadas e fortes. Juntas! Te amo, mãe! Pra sempre!”. A cantora postou a declaração na última quinta-feira, em homenagem ao aniversário da mãe, Ruth Moreira. “Eu tô aqui pra te lembrar mais uma vez o quanto eu te amo. seu cuidado e carinho ultrapassam o limite do ser mãe”, escreveu Marília.

Marília Mendonça era assim, emoção em estado puro. Era sofrência, era uma fonte de alegria para milhões de fãs. A cantora de voz grave e potente, autora de letras diretas, emocionou o Brasil até o último dia de vida. Deixou uma marca no coração do país, que havia se acostumado a cantar para os dissabores da vida.

Quebra de paradigmas

Passional, talentosa, emotiva. A força sentimental de Marília Mendonça não só arrebatou o coração de milhões de fãs, como também quebrou paradigmas na música popular brasileira. Ela rompeu a hegemonia masculina da música sertaneja, segmento dominado por duplas há décadas. Ele é precursora do que se convencionou chamar de “feminejo”, gênero que valoriza a sentimentalidade feminina. Não é pouca coisa. O empoderamento da mulher, evidente na arte de Marília Mendonça, estava ainda mais evidente na turnê que ela preparava em conjunto com a dupla Maiara e Maraísa. O nome não poderia ser mais sugestivo: Patroas.

O acidente em Minas Gerais encerra prematuramente a carreira da jovem goiana nascida em Cristianópolis. Em meio à comoção nacional, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, decretou luto de três dias no estado. Nas redes sociais, ele disse ser um “dia de muita tristeza para a música sertaneja”. O governador autorizou o uso da Goiânia Arena, ao lado do Estádio Serra Dourada, como local do velório da cantora, que ocorrerá na manhã deste sábado (6), por volta das 8h. O evento será aberto ao público, e a expectativa é de que cerca de 100 mil pessoas passem pelo local. “Goianos vão poder prestar linda homenagem. Peço calma e respeito à sinalização para que todos possam dar o seu adeus”, recomendou o governador.

*Correio Braziliense

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