Irã confirma morte de Khamenei, filha e neto, decreta luto de 40 dias e promete vingança
O Irã confirmou na madrugada deste domingo, 1, horário local, que o aiatolá Khamenei, uma filha, o genro e uma neta foram mortos em bombardeios.
Autoridades não deram maiores detalhes além de confirmar que ele foi “martirizado”.
Na PressTV, emissora internacional da República Islâmica, a apresentadora Maryam Azarchehr deu a notícia chorando: “A vingança está a caminho. A vingança virá logo. Eles vão pagar pelo que fizeram. O imã Khamenei vai entrar para a História como o imã Ali”.
O governo anunciou 40 dias de luto e uma semana de feriados.
Ao prometer vingança, a Guarda Revolucionária do Irã comparou Khamenei a Ali, o fundador do xiismo:
Deus Todo-Poderoso acolheu esta grande alma esforçada e descendente puro de Fátima (que a paz esteja com ela), assim como acolheu seu exemplo, o Comandante dos Fiéis, o Imam Ali (que a paz esteja com ele), no abençoado mês do Ramadã, concedendo-lhe a graça do martírio. Perdemos um grande líder e lamentamos profundamente a perda de alguém que, em pureza de espírito, força de fé, sabedoria na governança, coragem diante dos poderes arrogantes e perseverança no caminho de Deus, foi incomparável em sua época.
Khamenei foi o sucessor de Khomeini, o aiatolá que voltou do exílio na França para liderar a revolução islâmica de 1979.
Khamenei estava no poder como líder espiritual desde 1989.
Ele presidiu o Irã entre 1981 e 1989, durante a longa guerra contra o vizinho Iraque. Nesta condição, fez fama pela boa relação com as tropas. Atacado por Saddam Hussein em 1980, o Irã reverteu a guerra e quase derrotou o adversário, desenvolvendo os mísseis de médio e longo alcance que agora sofisticou.
Balanço
De acordo com a Crescente Vermelha, 201 iranianos foram mortos nas primeiras 24 horas de ataques promovidos por Estados Unidos, Reino Unido e Israel contra centenas de alvos iranianos.
O bombardeio a uma escola feminina de ensino fundamental em Minab, na região do estreito de Ormuz, matou dezenas de estudantes.
Donald Trump prometeu que a guerra vai continuar até que seja atingido o objetivo de trocar o regime instalado com a Revolução Islâmica, em 1979.
Os Estados Unidos, se a troca de regime acontecer, darão um golpe estratégico na Rússia e na China.
É um engano acreditar, no entanto, que a morte do aiatolá, de 86 anos, selará o destino do regime.
Um novo aiatolá
Quando Israel deu início à Guerra dos Doze Dias, no ano passado, Khamenei teria indicado uma lista de possíveis sucessores, segundo o New York Times.
A mídia de Israel, que acompanha minuciosamente os assuntos iranianos, aponta o possível número um na linha sucessória como sendo Ari Larijani, que se tornou secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional depois do conflito de 2025.
Larijani é de uma poderosa família clerical do Irã que ocupou cargos na alta hierarquia do regime desde a Revolução Islâmica de 1979.
A palavra final é dada pelo chamado Conselho de Guardiões, formado pelas principais autoridades do xiismo no Irã, muitas delas indicadas para o conselho pelo próprio Khamenei.
A morte de Khamenei, em um primeiro momento, reforça a ala dura do regime, sob comando da Guarda Revolucionária.
Além disso, causa comoção entre os 250 milhões de xiitas que vivem em dezenas de países do mundo.
A primeira reação militar do Irã pegou de surpresa o Ocidente.
Teerã atacou bases estadunidenses em toda a região e acertou com drones aeroportos internacionais em Barein, Kuwait, Catar e nos Emirados Árabes Unidos, provocando caos aéreo em toda a região.
O Irã anunciou o fechamento do estreito de Ormuz, por onde passa diariamente a produção de petróleo do Golfo Pérsico.
Os danos a países do Golfo causam apreensão, especialmente numa guerra em que os Estados Unidos parecem seguir a direção de Israel, que sempre propôs a derrubada do regime islâmico em Teerã.
No Barein, cuja população é 80% xiita, houve manifestação pública de apoio ao Irã, que atacou instalações militares e prédios residenciais em Manama, a capital.
(Com informações da Revista Fórum)

