Operação Agro-Fantasma mira empresa suspeita de fraudes milionárias na compra de grãos em MT e MS
Ação cumpre mandados em Cuiabá, Alto Taquari e Campo Grande; prejuízo pode ultrapassar R$ 58 milhões
Delegacias de Polícia de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul deflagraram, na manhã desta quarta-feira (4), a Operação Agro-Fantasma para cumprir ordens judiciais contra uma empresa agropecuária investigada por fraudes na compra de grãos na região oeste de Mato Grosso.
Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de contas bancárias e da indisponibilidade de bens móveis e imóveis dos investigados.
As ordens judiciais são executadas em Cuiabá, Alto Taquari e Campo Grande.
Mandados e apoio especializado
O cumprimento das ordens contou com o apoio da Perícia Oficial e Identificação Técnica e de equipes da Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Bancos e Assaltos e Sequestros (Garras-MS) e do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco-MS).
As decisões judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cáceres, com base em investigações conduzidas pela Delegacia de Comodoro. Os crimes apurados são estelionato e associação criminosa.
Como funcionava o esquema, segundo a investigação
De acordo com a Polícia Civil, a empresa se apresentava ao mercado com imagem de solidez financeira e estrutura consolidada, o que facilitava a aproximação com produtores rurais.
Os investigados convenciam as vítimas a permitir que suas propriedades fossem usadas como referência para compras de grãos a prazo. Após a aquisição, os produtos eram revendidos à vista para indústrias, garantindo entrada imediata de recursos ao grupo.
Inicialmente, os pagamentos eram feitos regularmente, reforçando a confiança dos produtores. No entanto, após alguns meses, os suspeitos deixavam de quitar as dívidas, transferindo o prejuízo aos proprietários rurais.
Somente uma das vítimas teria acumulado inadimplência superior a R$ 58 milhões.
Vida de luxo e bloqueio de bens
Além das suspeitas de estelionato e associação criminosa, o grupo também é investigado por fraude fiscal e recebimento de créditos indevidos.
Entre os bens sequestrados está uma aeronave avaliada em mais de R$ 5,8 milhões. Também são alvo da operação imóveis de alto padrão, veículos importados e caminhonetes de luxo, como modelos da Porsche e Ram.
Segundo as investigações, os suspeitos mantinham residência em condomínio de alto padrão e ostentavam patrimônio incompatível com a situação financeira real da empresa.
(Com informações da Polícia Civil)

